E se depois de tudo
isso eu ainda estiver de pé, pode ser que ainda tenha chão. E se tiver chão,
estando de pé, eu vou poder caminhar. Se estou de pé, é porque Você está
comigo, e vou andar, porque Você vai continuar comigo.
Porque andar sem
Você não dá. E sem Você, eu caio. Continuo no chão, sem Você, se não estou de
pé. E se estou de pé, com certeza, sem Você, eu vou cair.
Mas se Você estiver
aqui, eu sei que vai pegar na minha mão, e além de colocar um chão duro e real
debaixo dos meus pés e me mostrar o caminho, vai me levar até onde quer que eu
chegue. E o que eu sei é que Você vai estar aqui. Que Você está aqui e vai
ficar... Aqui.
E a Sua mão... A
mão Sua, que vai segurar na minha pra me levar até onde Você quer que eu
chegue... É a mão que me guarda. É debaixo de onde eu quero ficar. A Sua mão,
que é a cama mais macia, a casa mais confortável, o melhor descanso pra minha
cabeça...
Pai...
E depois de tudo
isso eu vejo que nem a metade de tudo o que Você fez por mim é o que eu
merecia. Depois de tudo eu não mereci Sua mão. Eu não mereci, mas Você me ama.
E eu também não
mereço o Seu amor.
Mas Você me ama. E
eu? Eu te amo. Eu te amo e sei... E reconheço que foi só por causa da Sua mão
que eu estou de pé e que tem chão de baixo de mim pra eu poder andar. E que é
Você quem vai me levar aonde Você quer que eu chegue. Porque Você quer que eu
chegue lá.
Ainda que o chão
seja de areia e não tenha água nenhuma por perto, ainda que eu esteja com sede,
e quase não esteja conseguindo permanecer de pé, do jeito que Você me deixou, a
Sua mão vai me manter de pé... Como Você fez antes. E eu vou chegar até onde
tem água, porque vai ter... Você prometeu que teria água. E Você quer que eu
beba.
Que eu sobreviva.
Que eu viva. Em abundância.
Eu reconheço, Pai.
Reconheço a fraqueza escrita na minha testa se eu estou longe de Você. A
fraqueza gritando nos meus ouvidos, sem o Seu amor. E não dá. Não dá pra ficar
sequer um dia longe disso. Da Sua mão. Do Seu amor.
Dói, Pai. Dói
quando eu acordo do meu eu e vejo que não deixei Você entrar. Dói quando eu
vejo que, na verdade, eu não estava vendo nada antes de Você chegar. E Você tem
mais amor pra mim, porque Você é meu Pai. Meu Pai, que me perdoa. E que me ama.
O meu Pai, a quem eu amo...
E eu sei... Ah,
Pai, eu sei mesmo... Que eu posso ficar horas aqui tentando achar uma
palavra... Uma única palavra que seja melhor do que simplesmente obrigado,
e eu nunca vou encontrá-la.
Se isso for
suficiente, eu quero dar a minha vida. Por tudo. Por tanto amor. Pela Sua mão,
que me abriga e que me acalma, que segura na minha pra poder andar, depois de
ter me colocado de pé e de ter me posto num chão, onde dá pra andar. A minha
vida, Pai de amor.
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